Tratando-se de artes visuais, é comum ouvir-se: tal
objeto possui “cor pastel”, um termo que deriva
da suavidade da técnica de pintura surgida da adição
do pigmento branco a uma outra cor, diminuindo a sua saturação.
A
técnica desenvolvida com o giz pastel é uma
elegante maneira de “pintar a seco”, como a
chamava Leonardo da Vinci e é obtida com o emprego
de pequenos bastões de pigmento misturados com um
agente aglutinante, geralmente "goma de alcatira"
ou "tragacanto".
Sua
invenção é atribuída ao pintor
alemão Johann Thiele, mas Rosalba Carriera, 1675-1750,
uma artista veneziana, foi a primeira a fazer uso realmente
do giz pastel como material de pintura e não apenas
para desenhar esboços. Chardin, 1699-1779, fez alguns
retratos que chocaram a sua época, mas depois muitos
artistas como Mengs, Nattier, Copley, Delacroix, Degás,
Millet, Manet, Renoir, Toulouse-Lautrec, Redon, Vuillard,
Bonnard, Glackens, Whistler, Hassam e outros vêm usando
o giz pastel para criar uma linguagem artística.
Como
reage a cor nesta técnica que possui tantos matizes
de grande valor expressivo? Por sua composição
simples, o giz pastel oferece ao artista a pureza das cores,
uma vez que é aplicado em seu estado natural, sem
intervenção de nenhum meio que possa alterar
as cores, escurecendo-as ou amarelando-as.
Esta
pureza de cores, que é valorizada pela qualidade
dos pigmentos usados na fabricação, também
deve ser observada pelo artista, evitando mesclas superpostas,
principalmente se os tons forem muito diferentes, pois resultaria
em uma pintura de baixa qualidade.
De
difícil fixação, por tratar-se de um
finíssimo pó, deve preferencialmente ser aplicado
sobre papéis coloridos, do tipo Ingres, Miteintes,
Tizziano, Carmem ou similares, ligeiramente rugosos, que
possuam algum dente para prender o grão de pó
e, desta maneira, compor a pintura.
As
cores irão modificar-se ao fundirem-se com um fundo
colorido, devendo o artista estabelecer um tom que se harmonize
com o seu esquema de pintura, tomando especial cuidado para
evitar dobras ou marcas que comprometam o efeito final.
A
pintura deve ser iniciada com uma definição
simples das massas de luz, obtendo-se uma sugestão
imediata da forma. O acabamento obtido com a fusão
de tons suaviza o contraste tonal, fazendo desaparecer os
contrastes duros. O uso de toques ligeiros e seguros evidenciando
a luz é uma das principais características
da técnica.
Nos
retratos, a pele se obtém fundindo suavemente matizes
quentes e frios, aplicados em uma superposição
de acabamentos fundidos (esfumados) e frotados (apenas aplicados).
O contraste destas qualidades acentua a beleza do efeito,
criando um atrativo modelado da forma, enquanto que um excessivo
esfumado, demasiadamente elaborado, produzirá uma
pintura sem brilho, de efeito pesado.
As
sombras e distâncias podem ser sugeridas por aplicações
rápidas de cor, sem esfumar, produzindo transparência
e profundidade. Deve-se aplicar os traços de cor
com destreza, não os cruzando em demasia, para não
resultar em uma pintura confusa, de cores carregadas.
Apesar
da qualidade de alguns vernizes, a fixação
das cores na pintura com giz pastel traz o grande inconveniente
de reduzir ou eliminar totalmente a beleza dos tons matte,
característicos da técnica. É recomendável
uma fixação leve, pois uma fixação
completa pode transformar o trabalho em uma têmpera
guache.
Uma
vez que a pintura tenha sido elaborada com suficiente pressão
táctil, as cores permanecerão aderidas à
superfície, bastando a proteção do
vidro da moldura.
Outro
inimigo das cores do giz é a umidade. Manchas que
aparecem principalmente nos tons escuros podem ser eliminadas,
esfregando-se delicadamente sobre elas o dedo limpo. As
bordas que podem ser produzidas por gotículas de
água dentro da moldura, em caso de umidade excessiva,
podem também ser eliminadas com retoques frotados
até que se iguale a área afetada.
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Maria de Fátima Seehagen é artista plástica
e responsável pelo curso de arte on line do site
www.defatima.com.br.
E-mail: fatelier@zaz.com.br
Fonte: Mundo Cor
Publicado: 26/10/2004